Pólipo Endometrial: Diagnóstico e Tratamento Cirúrgico

O pólipo endometrial é uma das condições mais frequentemente diagnosticadas nos consultórios ginecológicos. Na grande maioria das vezes ele é benigno, mas merece avaliação adequada, principalmente quando causa sangramento ou aparece após a menopausa. Neste artigo, explico de forma simples o que é, como é diagnosticado e quando o tratamento cirúrgico é indicado.

O que é o pólipo endometrial?

O endométrio é a camada que reveste a parte interna do útero e que descama a cada menstruação. O pólipo é um crescimento localizado desse tecido, que forma uma pequena saliência presa à parede do útero por uma base larga ou por um "pedículo" fino. Pode ser único ou múltiplo e variar de poucos milímetros a alguns centímetros.

Quem tem mais chance de ter pólipo?

O pólipo pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum a partir dos 40 anos e na peri e pós-menopausa. Alguns fatores associados a maior risco são:

  • Aumento da idade
  • Obesidade
  • Hipertensão arterial
  • Uso de tamoxifeno (medicamento usado no tratamento do câncer de mama)
  • Uso de terapia hormonal

Quais são os sintomas?

Muitas mulheres não têm sintoma algum, e o pólipo é descoberto em um ultrassom de rotina. Quando há sintomas, os mais comuns são:

Sangramento ou "escape" entre as menstruações
Menstruação mais intensa ou mais prolongada
Sangramento após a relação sexual
Qualquer sangramento após a menopausa
Dificuldade para engravidar, em alguns casos

Importante: todo sangramento após a menopausa deve ser avaliado por um ginecologista, mesmo que seja pequeno.

Pólipo endometrial é câncer?

Na grande maioria dos casos, não. O risco de alteração maligna ou pré-maligna em um pólipo é baixo, porém maior em mulheres após a menopausa — especialmente se houver sangramento — e em usuárias de tamoxifeno. Por isso, quando o pólipo é retirado, ele é sempre enviado para análise em laboratório (exame anatomopatológico), que confirma sua natureza.

Como é feito o diagnóstico?

1Ultrassom transvaginalgeralmente é o primeiro exame e pode sugerir a presença do pólipo.
2Histerossonografiaultrassom feito com a introdução de soro dentro do útero, o que ajuda a delimitar melhor a lesão.
3Histeroscopiaexame em que uma câmera fina é introduzida pelo colo do útero, permitindo ver diretamente a cavidade uterina. É considerada o método de referência, pois permite confirmar o diagnóstico e, muitas vezes, retirar o pólipo no mesmo procedimento.

O diagnóstico definitivo é dado pelo exame anatomopatológico do tecido retirado.

Todo pólipo precisa ser operado?

Não necessariamente. A decisão é individualizada. Em mulheres antes da menopausa, sem sintomas, sem fatores de risco e com pólipos pequenos, pode-se optar por acompanhamento, pois parte desses pólipos pode regredir espontaneamente.

A retirada costuma ser recomendada quando há:

  • Sangramento uterino anormal
  • Pólipo identificado após a menopausa
  • Dificuldade para engravidar ou planejamento de reprodução assistida
  • Uso de tamoxifeno ou outros fatores de risco
  • Pólipos maiores ou múltiplos, ou dúvida diagnóstica

Medicamentos hormonais podem controlar sintomas temporariamente, mas não eliminam o pólipo.

Como é o tratamento cirúrgico? (polipectomia histeroscópica)

O tratamento de escolha é a polipectomia por histeroscopia. O procedimento é feito pelo canal natural (vagina e colo do útero), sem cortes na barriga. Com a câmera, o cirurgião visualiza o pólipo e o retira com instrumentos delicados ou com energia, sob visão direta, o que permite remover a lesão com precisão e preservar o útero.

Pode ser realizado em ambiente hospitalar, com sedação ou anestesia, ou, em casos selecionados, em consultório.
Costuma ser rápido e, na maioria das vezes, a paciente vai para casa no mesmo dia.
A recuperação geralmente é rápida, com retorno às atividades habituais em poucos dias.
Pode haver cólica leve e pequeno sangramento nos dias seguintes.

A curetagem "às cegas" (sem visualização) não é a melhor opção para retirar pólipos, porque pode deixar a lesão para trás.

Quais são os riscos?

A histeroscopia é considerada um procedimento seguro, com baixa taxa de complicações. Como em qualquer cirurgia, existem riscos, que são pouco frequentes: sangramento, infecção, perfuração do útero e reações à anestesia. Também é possível que novos pólipos apareçam ao longo do tempo, por isso o acompanhamento ginecológico continua importante.

Quando procurar avaliação?

Procure um ginecologista se você tiver sangramento fora do período menstrual, menstruação muito aumentada, sangramento após a relação ou qualquer sangramento após a menopausa, ou se um ultrassom mostrou imagem sugestiva de pólipo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Dr. José Victor Afonso Freire — Ginecologista e Obstetra | CRM-MG 82737 | RQE 62058

Referência: American Association of Gynecologic Laparoscopists (AAGL). Practice guidelines for the diagnosis and management of endometrial polyps. Journal of Minimally Invasive Gynecology, 2012.

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