Dr. José Victor Afonso Freire (CRM-MG 82737 / RQE 62058) atua em Montes Claros, MG, oferecendo atendimento especializado em ginecologia e cirurgia minimamente invasiva, pautado pelas diretrizes clínicas nacionais e internacionais vigentes.
O que é a histeroscopia?
A histeroscopia consiste no padrão-ouro para a avaliação e tratamento de afecções da cavidade uterina. O procedimento emprega um endoscópio especializado (histeroscópio) acoplado a um sistema de vídeo de alta definição, introduzido através do canal vaginal e do colo uterino, permitindo a visualização direta e em tempo real do canal endocervical e da cavidade endometrial.
Distingue-se em duas modalidades primárias: a histeroscopia diagnóstica, focada no mapeamento anatômico, identificação de anomalias mucosas e biópsia dirigida; e a histeroscopia cirúrgica, de caráter terapêutico, que utiliza instrumentação de energia (ressectoscópios monopolares ou bipolares) ou mecânica para a exérese de patologias previamente diagnosticadas.
Quando é indicada?
As indicações para o procedimento histeroscópico são amplas e respaldadas pelas diretrizes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Destacam-se:
- Sangramento Uterino Anormal (SUA): Investigação minuciosa de episódios de hemorragia refratária ao tratamento clínico ou sangramento na pós-menopausa, para exclusão de hiperplasia ou neoplasia endometrial.
- Pólipos Endometriais e Endocervicais: Identificação e polipectomia, reduzindo o risco de malignização em perfis de risco e controlando a sintomatologia hemorrágica.
- Miomas Submucosos: Ressecção de nódulos leiomiomatosos com componente intracavitário (Classificação FIGO 0, 1 e 2), responsáveis por sangramento profuso e dismenorreia.
- Sinéquias Intrauterinas (Síndrome de Asherman): Lise de aderências formadas tipicamente após curetagens de repetição, restabelecendo a arquitetura endometrial.
- Infertilidade e Abortamento de Repetição: Avaliação do fator uterino na falha de implantação, incluindo a correção de malformações müllerianas, como o útero septado.
- Remoção de Corpos Estranhos: Retirada de Dispositivos Intrauterinos (DIU) com fios não visíveis ou impactados no miométrio.
Como é feita a cirurgia?
A histeroscopia cirúrgica é realizada sem quaisquer incisões abdominais. O colo do útero é progressivamente dilatado para permitir a introdução do ressectoscópio. Utiliza-se um meio de distensão líquido (frequentemente soro fisiológico, compatível com energia bipolar) para expandir a cavidade uterina e permitir a visualização translúcida.
O tempo operatório é monitorado com precisão para controlar a absorção hídrica sistêmica. A ressecção de miomas (miomectomia histeroscópica) ou pólipos é feita por fatiamento progressivo do tecido patológico utilizando alças diatérmicas, sendo os fragmentos posteriormente removidos para análise anatomopatológica. O suporte anestésico (raquianestesia ou anestesia geral venosa) garante imobilidade e conforto à paciente, suprimindo o reflexo vagal.
Recuperação pós-operatória
A natureza minimamente invasiva garante uma recuperação significativamente acelerada. A paciente recebe alta no mesmo dia do procedimento, dentro de um protocolo de Day Clinic (hospital-dia). É esperado um leve sangramento vaginal ou corrimento serossanguinolento por até duas semanas, além de cólicas transitórias controláveis com anti-inflamatórios e antiespasmódicos orais.
O retorno às atividades laborais de escritório ou rotinas leves ocorre em média de 1 a 3 dias. Recomenda-se a abstenção de relações sexuais com penetração, banhos de imersão (piscinas, banheiras) e atividades físicas de alto impacto por um período variável de 10 a 15 dias, visando prevenir infecções ascendentes e otimizar a reepitelização do endométrio.
Resultados esperados
Os desfechos clínicos da histeroscopia são altamente satisfatórios. No contexto reprodutivo, a polipectomia, a miomectomia de nódulos submucosos e a metroplastia (secção de septo uterino) demonstram correlação substancial com a elevação das taxas de gravidez clínica e redução de abortamentos precoces.
Riscos e complicações
As complicações da histeroscopia são raras, com incidência global inferior a 1% a 2% em centros com alto volume cirúrgico. Entretanto, o consentimento informado exige a ciência sobre eventos adversos potenciais, que incluem: perfuração uterina mecânica ou térmica (mais comum em fundos atróficos ou sinéquias densas); sangramento intraoperatório ou pós-operatório exacerbado; lesões térmicas inadvertidas a órgãos adjacentes; processos infecciosos pélvicos (endometrite); e a Síndrome de Absorção Hídrica (intoxicação hídrica devido ao excesso de absorção do meio de distensão), amplamente prevenida por sistemas rigorosos de balanço hídrico durante a cirurgia.