Dr. José Victor Afonso Freire (CRM-MG 82737 / RQE 62058) conduz procedimentos de correção de prolapso em Montes Claros embasados no estadiamento POP-Q e na fisiologia do assoalho pélvico.
O que é colpoperineoplastia?
A colpoperineoplastia consiste na reconstrução cirúrgica das fáscias e da musculatura que compõem o assoalho pélvico e o canal vaginal. Tradicionalmente compreende as colporrafias plicativas voltadas a suturar os defeitos de suporte.
Do ponto de vista anatômico, estratifica-se em: Colpoplastia anterior, que trata os defeitos da fáscia pubocervical promovendo a redução do prolapso da bexiga (cistocele); Colpoplastia posterior, dedicada à fáscia retovaginal para retificar a herniação retal (retocele) em direção ao lúmen vaginal; e a Perineoplastia, etapa final destinada a aproximar a musculatura do corpo perineal, estreitando o introito vaginal afrouxado. A correção concomitante do compartimento apical (fundo da vagina ou útero) faz-se obrigatória caso haja constatação de seu descenso.
Quando é indicada?
A avaliação médica obedece ao sistema padronizado de quantificação do prolapso (POP-Q). A indicação operatória consolida-se em pacientes com estágios anatômicos moderados a avançados que culminam em expressiva deterioração da integridade funcional, tais como:
- Sensação de "Bola" Vaginal: Queixa mais prevalente onde há um abaulamento visível ou palpável que extravasa a fenda vulvar, causando disfunção de deambulação ou constrangimento.
- Disfunção Evacuatória e Urinária: Necessidade da paciente digitalizar as paredes vaginais ou o períneo para concretizar o esvaziamento do intestino ou da bexiga.
- Disfunções Sexuais: Dismorfias de alargamento do introito (lassidão introitovaginal) ou dor gerada pelo choque de vísceras durante a penetração.
- Incontinência Urinária Oculta: Eventualmente combinada, onde o prolapso atua torcendo a uretra, disfarçando perdas urinárias que podem exigir a fixação de um Sling concomitante à plástica.
Como é feita a cirurgia?
O tratamento é integralmente realizado por via vaginal. Sob anestesia raquidiana e posicionamento em litotomia clássica, o epitélio vaginal correspondente à cistocele ou retocele é infiltrado e incisado. Os tecidos são finamente dissecados para expor as fáscias atenuadas (fascial defect).
As camadas fáscio-musculares nativas da própria paciente são, a seguir, tracionadas e plicadas no eixo central através de suturas vigorosas (colporrafia). Após retificar o assoalho de sustentação do reto e bexiga, resseca-se o epitélio vaginal redundante. O fechamento do hiato perineal aproxima cirurgicamente as fibras do músculo bulbocavernoso e puborretal. Na grande maioria dos casos primários, privilegia-se o uso dos tecidos autólogos, reservando as telas protéticas artificiais para situações rigorosamente restritas e recidivas agudas.
Recuperação pós-operatória
A hospitalização perfaz entre 24 a 48 horas. A bexiga pode requerer sondagem temporária no pernoite clínico. Nos lares, as diretrizes de convalescença determinam restrição absolutíssima contra qualquer manobra de Valsalva (levantar peso, realizar exercícios isométricos intensos) por até seis semanas.
É indispensável manejar a consistência do trânsito intestinal através de dieta hiperfibrosa e uso de laxantes osmóticos, evitando tenesmo fecal incisivo que pode arruinar as suturas da fáscia posterior recém-montada. O repouso pélvico (abstenção de intercursos sexuais com penetração vaginal e uso de absorventes internos) estende-se por um arco estimado em 40 a 60 dias.
Resultados esperados
Ao cabo do período reabilitador, observa-se reestruturação palpável do eixo anatômico pélvico. A percepção constrangedora de peso é obliterada. A mecânica de defecação melhora contundentemente e o restabelecimento do tônus do introito resgata frequentemente a sensibilidade e plenitude funcional das relações sexuais.
Riscos e complicações
Do prisma das eventuais vicissitudes: existe a possibilidade de deiscência precoce das incisões, desencadeada sobretudo por distúrbios da evacuação ou esforço irresponsável nos primórdios da cicatrização. Outras complicações contemplam a formação transitória de hematomas paravaginais, infecção de parede vaginal, constipação interina, dispareunia tardia (dor coital resultante de estreitamento inadvertido exacerbado – "overcorrection") e recorrência anatômica longínqua, haja vista a matriz enfraquecida intrínseca dos feixes de colágeno da paciente portadora da disfunção.